quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Mercearia do Francês NÃO, OK?

Mercearia do Francês NÃO! FUJAAAAAAA DAQUIIII!"Cuidado, em tempos de crise, o que diferencia um lugar é o atendimento", falou o cliente, irritado, depois de esperar por 70 minutos seu prato chegar.

"Eu não estou sentindo crise nenhuma. Aqui não tem crise", respondeu o francês com charme envelhecido e com um corte de cabelo que devia fazer algum sucesso em 1988.

Pois é... Essa é a descrição da conversa com o proprietário da Mercearia do Francês - restaurante sem muita atração, que fica em Higienópolis, em São Paulo. O dono do lugar, o tal francês de rugas fundas e olhos azuis já não tão jovens, bobo, adora fazer de conta que é chef bacana e esquece de cuidar da freguesia.

Foi assim, como já cantou Wanderleia, que aconteceu lá perto do cemitério da Consolação - onde, um dia, todos acabamos (claro que no Cemitério e não na Consolação):

21h - chegada animada e descontraída para o aniversário do amigo.

21h05 - pedido de uma porção de bolinho de bacalhau.

22h12 - garçom é questionado sobre a porção de bacalhau: "Cadê o danado?". Resposta do moço: "Mandei trocar o óleo porque ele - o óleo - já estava velho. Pedi para colocar um novo para deixar o bolinho mais gostoso". Ninguém, claro, acreditou no dito-cujo. E... pior ainda se for verdade. Óleo velho!?

22h14 - garçom volta à mesa e pede desculpas, "Mas o bacalhau acabou".

22h14 - cinco pessoas do primeiro grupo, vamos chamar aqui de grupo A, pede seus pratos.

22h34 - segundo grupo, o B, pede seus pratos.

22h44 - o segundo grupo, o B, recebe seus saborosos jantares.

22h45 - Beto, o que aqui escreve, e que fazia parte do grupo A, começa a perguntar: "Cadê minha comida?". Resposta do primeiro garçom: "Eu só tiro o pedido. Se quiser resolver alguma dúvida, fale com o matrie".

22h46 - Beto, ainda mais irritado, levanta e vai falar com o maitre. resposta: "Estamos vendo".

22h47 - Beto, que viu o dono-francês chegar às 21h07, pede para falar com o responsável-mor, o pode-pode, o tudo-tudo, o tal do homem de nariz aquilino cheio de marcas de acne. Resposta do maitre: "O dono está com amigos, e não posso incomodá-lo".

22h48 - Beto tem um piti daqueles, roda a baiana, e, mais que de repente, chega o dono acostumado a ser rei no país verde-amarelo. Discutimos, disse que seu atendimento era de terceiro mundo. A resposta do altão foi a melhor: "Mandei servir um espumante como pedido de desculpas" - claro que ele não ia falar Champagne, afinal, o já senhor é de lá da terra de Napoleão e sabe que Champagne é da região de Champagne. Coitado de nosso Chandon, criado aqui em terras sulistas... Chandon, este, não tocado. Como bom conquistador-europeu de terras distantes e mais pobres, acha que os índios aqui vão calar a boca com espelhinhos e afins. Ele que tome o espumante sozinho.

23h03 - Chegada dos pratos. Festa acabada, aniversariante triste, convidados sem graça. E o Beto aqui de vilão para uns, de herói para outros.

Tudo isso para quê? Pergunto, sinceramente, para que uma pessoa abre um restaurante... Se é para ter atendimento medíocre, não é melhor investir na poupança e viver da brisa dos trópicos? Para que abrir um lugar se é para deixar os outros irritados?

Perguntei para o dono o que ele ia fazer. A resposta... "Vou conversar com a equipe". Boa. Ótimo. Perfeito. É para rir? Se for, não achei graça.

A conta veio inteirinha. Até com os 10% - que, claro, eu me neguei a pagar. Sempre alguém se sente constrangido demais a ponto de pagar pelos e para os outros. Pena. Só por isso que os franceses, portugueses, e todos os "eses" do primeiro mundo se sentem à vontade de prestar serviço subdesenvolvido para gente de país em desenvolvimento. Queria ver neguinho sentado em mesa de amigo se a história se passasse na Argentina ou nos Estados Unidos. Bem-feito. Brasileiro tem mesmo o que merece.

Mas não tem nada não... No próximo livro, Mercearia do Francês chega com tudo, como locação para o pior do atendimento da cidade. Desbancando até o Santo Grão.

2 comentários:

Ro~gério disse...

sabe que um dia eu fui lá e quando me toquei já havia passado mais de 40 minutos que o prato não chegava. também perguntei para o garçom que disse que era tudo fresquinho e tal e porisso demorava. não quis brigar na hora, mas lendo o que voce escreveu vê-se que é coisa de lugar ruim mesmo. Morte à Mercearia do Francês!

Francine disse...

NÃO VOU MAIS LÁ!