segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Fila A

Modelo desfila na Chata Fashion Week. Foto da Globo.comTem coisa mais chata que ir à SPFW (São Paulo Fashion Week)? Sim, tem um monte de coisas, mas, com certeza, passear pelo pavilhão da Bienal, no Ibirapuera, em SP, em semana de mUdelos de cara amarrada, é top 10 entre as mais chatas.

Não sei por que o povo que trabalha (e ganha bem mal por sinal) no amado-odiado evento da moda brazuca ADORA se fazer de importante. Tem gente que chega a ficar com vinte credenciais penduradas no pescoço e oito celulares na mão (na cintura JA-MAIS!). Tudo pra mostrar tô-ocupada-volta-mais-tarde. E os cabelos desse povo então? Nojo. E os estilos? Os piores possíveis - mas tudo vale para aparecer, não é? Os bastidores desse evento dariam uma ótima série de TV. Hum... gostei da idéia!

E o que dizer da fileira A? No mundo todo, quem senta nessa tal fileira de frente pras magras pernas das lindas que desfilam são os jornalistas e as celebridades realmente bacanas. Aqui na nossa terra do samba não. Dá de tudo: gente amiga-melhor-amiga do costureiro; ex-Big Brother; gente bem desconhecida de óculos bem grande. Jornalista que é bom mesmo... um ou outro. Celebridade A, então... Esquece. Quando aparece, a sensação que se tem é que Madonna acaba de receber Jesus no coração. E, atenção... Bacana que é bacana só ganha e vai na fileira A. Se o seu convite for B... OK... No entanto, a ordem do alfabeto das cadeiras dá a ordem de importância da pessoa. Quanto mais pro final, menor é a pessoinha... Ô, dó... Se o seu ingresso for depois da C, jogue fora e não conte pra ninguém que você foi convidado. Melhor.

Algumas vezes estive lá pelo prédio onde tudo acontece. E prometi que não volto mais. E olha que fui muito bem atendido... Afinal, eu era o "+1" da celebridade realmente A. Muito assessor de imprensa querendo ficar amigo só para conseguir que a celebridade A dê um passeio pelo lounge do seu cliente e tire fotinhos fofas com o merchandising na mão ou no tapume atrás. Tudo superprofissional... Quanto mais fotinho, mais o cliente fica feliz, mais a revista publica, mais o assessor de imprensa garante seu emprego. E mais possível fica da marca-querida-cliente fechar outra edição da quero-quero-pode-pode SPFW.

O que realmente incomoda é esse clima de festa sem bebida. Sabe aquela gente que precisa tanto ser descolada que esquece de ser ela mesma? É assim o lugar. Sem esquecer os pedintes de convites. Só faltam falar "Tio, eu podia tá robanU, mas tô aqui pedinU um ingresso pro convite do desfile da tarde". E vale até ficar em pé! E quem não entra, já se sente feliz em ver ao vivo pelo telão do saguão. Triste, triste.

Mas... vamos combinar que a indústria da moda aqui dos trópicos está fazendo bonito. Não sei se na moda em si, mas pelo menos nos números de vendas, contratos, empregos. Acho essa parte tudo-de-bom. Vamos ver como será essa primeira edição em plena crise subprime-bancária-americana. Vamos cruzar os dedos e rezar. Todo crescimento é importante em dias cinzas. Só não precisa crescer em gente boba que, hoje, até pode ser alguma coisa para alguns, mas que segunda que vem volta a ser o ninguém de sempre.

Amargo o texto de hoje, né?

3 comentários:

Anônimo disse...

amargo, mas verdadeiro. e muito bem escrito. parabéns!
carlos

Anônimo disse...

amargo nada, se a vida dessas pessoas é só isso, que peninha...

patricia olimpio disse...

não acho que moda seja assim tão desnecessário. Nem tão fútil. Isso é sim coisa de gente amarga.